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terça-feira, 15 de julho de 2014

5 MANEIRAS DE SE SENTIR MAIS FELIZ EM APENAS 5 MINUTOS

Felicidade é uma longa jornada em busca de significado e realização. Mas, enquanto você pode demorar anos para ter uma transformação profunda em sua vida, existem estratégias cientificamente testadas, que se mostram bastante eficazes no aumento instantâneo da felicidade.


Estas atividades fornecem um pequeno aumento cumulativo na felicidade, mas quando praticados constantemente ao longo do tempo, tendem a se tornar hábitos positivos, que te ajudarão a ter mais energia e paixão para realizar seus sonhos.



Aqui estão 5 estratégias que você pode praticar agora mesmo, para ter uma dose de saudáveis nutrientes psicológicos:



Pule_corda

1. Pule corda.


Exercícios aeróbicos melhoram seu humor. Em 2005, pesquisadores da Universidade de Chicago e Universidade de Minnesota analisaram 158 estudos diferentes conduzidos entre 1979 e 2005. Eles descobriram que o efeito do exercício aeróbico era cumulativamente positivo, e era notado especialmente quando a pessoa iniciava o exercício em um momento em que se sentia um pouco "para baixo" do que o normal. Em outras palavras, exercícios físicos podem te botar para cima quando você mais precisa.


Em um estudo ainda mais recente, pesquisadores da Universidade Halmstad na Suécia analisaram 15 estudos diferentes e descobriram que execícios físicos podem ser um tratamento efetivo contra a depressão leve ou moderada. Mente e corpo são inseparáveis. Alguns minutinhos pulando corda podem fazer uma grande diferença.



Fale_com_quem_você_gosta


2. Ligue para um amigo ou parente.


Conexões sociais positivas são os alicerces da saúde e felicidade. Uma conversa com um amigo pode ter um efeito positivo duradouro, aumentando sua energia e cultivando sua motivação. Na verdade, só o fato de pertencer a um grupo social ou ter uma conexão pessoal mínima com outra pessoa já cria um sentido mais significativo. Se existem agora pessoas ao seu redor das quais você gosta e admira, vai em frente, chegue mais perto e puxe um papo - ou pegue o telefone para dar um alô.



Anote_3_coisas_pelas_quais_você_é_grato.

3. Anote 3 coisas pelas quais você é grato.


Muitas pessoas mantém um diário onde são escritas as coisas pelas quais são gratos. O simples exercício de conscientizar-se da sorte que já tem ao identificar essas 3 "coisas boas", tem se mostrado um grande aliado ao fornecer ao mesmo tempo um sentimento de felicidade imediato e duradouro. Em um estudo publicado em 2012, os psicólogos positivos Stephen Schueller e Acacia Parks testaram esta estratégia em um experimento online e descobriram que os benefícios chegaram a durar até 6 meses. Escrever 3 coisas, em 5 minutos, para subir um degrauzinho de felicidade por seis meses parece um trato bem interessante.



Imagine o melhor

4. Imagine o melhor resultado acontecendo em seu futuro próximo.


Pesquisas constantemente demonstram que imaginar o "melhor quadro possível" faz de você uma pessoa bem mais otimista, vivenciando uma grande variedade de emoções positivas. A Coach Caroline Miller, autora do livro Criando sua Melhor Vida (ainda não traduzido para o português) nos ensina sobre paz interior, sugerindo um estado de "fazer de conta" que é otimista ao pensar sobre o futuro: "Para os pessimistas, o mundo é apenas um conjunto de eventos aleatórios. Já, os otimistas, acreditam controlar as coisas ao seu redor. Então, de certa forma, você precisa fazer de conta que é otimista."



De acordo com o senso comum, pensar positivamente sobre o futuro, ainda que seja de forma realista, faz com que você tenha um futuro melhor. Tenha alguns minutos para pensar e anotar qual seria o melhor cenário possível para os próximos meses ou anos. Você pode se surpreender ao ver quão positivo este provável futuro pode ser.



Defina uma intenção

5. Defina uma intenção para o seu dia.


Um dos mais bem estabelecidos e validados conceitos de bem-estar psicológico foi publicado por Carol Ryff da Universidade de Wisconsin há aproximadamente 20 anos. Ele inclui seis elementos formadores da felicidade, dentre os quais autonomia é o mais proeminente. Definir uma intenção para guiar o seu dia te coloca no assento do motorista, onde você pode tomar decisões conscientes, ao invés de reagir às demandas que surgirem.


Pode ser que não consiga se manter no rumo o tempo todo, mas o simples fato de estar ciente do que deseja cumprir te dará um enorme senso de propósito, e uma excelente oportunidade de se manter consistente em relação à forma que você interage com o mundo.

Se chegou até aqui, que tal tomar uma atitude? Escolha uma das 5 estratégias e mexa-se agora mesmo!


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O QUE A RETROSPECTIVA DO FACEBOOK PODE TE ENSINAR SOBRE FELICIDADE

Exatamente um minuto e dois segundos. Este foi o tempo necessário para o Facebook resumir 5 anos de nossa convivência de forma simples, porém mágica. 

Calma aí, este não é o mais incrível nisso, mas sim a capacidade de resumir um conceito muitas vezes ignorado em nossas vidas, mas que pode fazer toda diferença sobre como você encara as coisas.




Já tenho mencionado o poder do foco em outras publicações, porém este conceito nunca ficou tão fácil de ser explicado por estar relacionado a algo da moda. Diariamente vejo pipocando diversos vídeos de Retrospectiva. Para você que ainda não entendeu o motivo desses vídeos, a Retrospectiva foi uma ideia de presente comemorativo aos usuários pelo aniversário de 10 anos do Facebook.

Se você ainda não viu a sua, basta ser usuário da rede social e acessar o endereço www.facebook.com/lookback para ter acesso ao resumo enfeitado de sua estadia pelo site, com direito a mosaico de fundo com fotos suas, lembranças do início, publicações mais curtidas, fotos e tudo ao som de trilha sonora emocionante.




Você pode até estar pensando neste momento que não há nada de novo ou incrível nisso,  afinal essas modinhas pipocam e desaparem com grande frequência, então o que essa tem de diferente?

Bem, meu amigo, o diferente é justamente o resultado de impacto que isso causa nas pessoas. Não precisa ser um estudioso do comportamento digital para saber que as pessoas compartilham o que elas gostam, tiram fotos das coisas das quais se orgulham, do gatinho fofo, do filho sorrindo e assim por diante. A Retrospectiva do Facebook é algo espantoso justamente por sua repercussão, pela sua aceitação positiva. 

Tão logo as pessoas tem contato com suas Retrospectivas, já tendem a compartilhar com orgulho, se orgulhando da história contada. Afinal, não é para menos, a trilha sonora épica foi cuidadosamente escolhida, ali estão os momentos onde a pessoa recebeu maior foco e atenção social, se você for casado ou estiver em um relacionamento sério, também estarão muitas fotos dos pombinhos. Como não curtir e compartilhar tudo isso, ainda mais sendo você o ator principal?




O efeito do qual talvez você não esteja consciente é o efeito psicológico poderosíssimo atrelado a este comportamento, mais precisamente relacionado ao aspecto positivo da história de vida. Mas como isso pode me ajudar a ser mais feliz?

Explicando melhor, todos temos uma visão de futuro baseada na projeção de nossas experiências passadas. Portanto, uma das formas mais rápidas de gerar uma mudança em uma pessoa é justamente alterando sua percepção, estado cognitivo, em relação ao seu passado, para que possa alterar sua projeção de futuro para algo mais inspirador. Esta é uma premissa da TCC (Terapia Cognitivo Comportamental), amplamente utilizada com eficácia nos consultórios de Psicologia e base fundamental para técnicas modernas como o Coaching. 

Portanto, quando você se achar desmotivado, sem perspectivas, reclamando das circunstâncias, páre por alguns minutos e crie mentalmente sua Retrospectiva de Vida no estilo Facebook, ressaltando seus momentos mais importantes. Pergunte a si mesmo: 


  • O que tem acontecido de bom nos últimos dias? - Livre-se da barreira das 24h, pense em sua vida como algo maior que isso, talvez nunca mais tenha um "dia ruim".
  • O que eu posso agradecer em relação à minha vida? - Ter saúde, ter amigos para contar, ter um trabalho, poder ajudar aos outros, etc.
  • Quem realmente me ama e quem eu amo realmente? - Companheiro, família, parentes, amigos.
  • O que eu estou tentando ignorar com minha pressa, mau humor, mal estar? - As vezes está sobrecarregado para "abafar" um problema para o qual não quer olhar.


Incorpore este método ao seu dia-a-dia. Ganhe esse tempo para ser mais feliz, apenas mudando o foco para coisas mais importantes que seus problemas. Se o Facebook consegue fazer isso por você em um minuto e dois segundos, imagine o quanto você pode fazer por si mesmo, tendo tanta história boa que ele jamais saberá. Só depende de você escolher usá-las e viver como uma estrela de sua própria vida.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

FIM DE SEMANA NEURÓBICO

Hoje é sexta-feira! O dia mais feliz para a grande maioria, pois é o dia de acabar com a rotina e esquecer da vida.  Aproveite o fim de semana para inovar, mas inove de verdade. Inovar não é tomar um porre maior que o último, fazer um churrasco com uma carne diferente ou assistir uma nova série de TV. Isso é só mais do mesmo.

Que tal, ao invés disso reunir os amigos para conhecer um lugar novo? Talvez aceitar o desafio de fazer um almoço sem carnes ou inspirado em algum país específico, se ficar sem gosto, tudo bem vale a diversão e a oportunidade de presentear os sentidos com novos sabores, cheiros e texturas.

Quem sabe então, ao invés de ficar na frente da TV, curtir algo ao vivo, sem precisar de óculos 3D? Assistir a uma corrida de carros, a uma partida de futebol ou àquele show que está acontecendo na cidade, também vale ir ao parque, mas quem sabe passando por um trajeto diferente.

Videogame não vale, mas quem sabe correr de kart? Vale jogar paintball, taco, futebol, fazer escalada e tudo o que sua criatividade permitir. Ainda se estiver sem dinheiro, apenas o fato de sair dos ambientes aos quais está familiarizado já permite que você tenha novos pensamentos e boas ideias.

Segundo a Neuróbica, nome dado às atividades que melhoram o funcionamento da mente, nosso cérebro também precisa se exercitar, então se você tem se comportado de maneira sedentária, não seria algo espantoso se tivesse lapsos de memória mesmo antes dos 30.

Ainda assim prefere só descansar? Tudo bem, entendo que o estresse deve ter sido grande esta semana. Agora, se tem se repetido muitas vezes é melhor reavaliar algumas questões que estão te levando a este ponto.

NON SOLUS CARPE DIEM: CARPE OMNI.  (provérbio latino)
Não aproveite somente o dia: aproveite tudo!

Tenha um fim de semana NEUROVILHOSO!

Grande Abraço!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

SUPERE OS SEUS PENSAMENTOS NEGATIVOS E BARREIRAS EMOCIONAIS

Quando surgem alguns problemas na nossa vida, inevitavelmente surgem-nos pensamentos negativos. No entanto, os pensamentos negativos não têm necessariamente de causar dor emocional, desespero e angústia. Tudo depende da forma como se gere os conteúdos desses pensamentos negativos e a influência que têm nas nossas atitudes, decisões e comportamentos. O problema que enfrentamos relativamente aos pensamentos negativos que nos surgem na mente, não é criado pelos próprios pensamentos negativos, mas sim com aquilo que fazemos com eles. Infelizmente, a compreensão do que se passa na nossa mente nem sempre leva à mudança de comportamentos autodestrutivos (por exemplo, vícios, procrastinação, explosões de raiva) ou remoção de medo. Saber porque você está deprimido, ansioso ou a experienciar dor emocional não significa necessariamente que você se sinta melhor. No entanto, se você se comprometer com atividades promotoras de bem-estar, como, manter-se ativo, ajudar os amigos, os filhos ou familiares, envolver-se em passatempos e atividades criativas, praticar exercício físico, diminuirá a possibilidade de concentrar-se sobre os sentimentos negativos. Entender o que é mais significativo para você na vida (tal como a sua saúde, família ou trabalho) e comprometer-se a tomar ações específicas para atingir as suas metas, pode colocá-lo no controle da sua vida.



ACEITAÇÃO E COMPROMISSO

Quando passamos por dificuldades, quando a nossa vida não está tomando o rumo que desejamos ou não estamos a conseguir perceber o que se passa connosco, ou porque razão nos sentimos de uma determinada forma, é possível que façamos de nós mesmos o bode expiatório, que nos voltemos contra nós, que olhemos para nós com resignação, conduzindo-nos à diminuição de nós mesmos. Este processo é contraproducente para a recuperação. Leva a que a pessoa se afunde ainda mais e entre numa espiral de negatividade.

Perante tal cenário, importa que a pessoa se aceite e aceite também o momento e a situação em que se encontra. A aceitação da realidade que se enfrenta pode ser libertadora, pode permitir o inicio da recuperação. A Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT em Inglês) é uma intervenção de curto prazo que pode ser utilizado na psicoterapia. Esta terapia combina os princípios da Atenção Plena (Mindfulness) com técnicas de motivação e mudança de comportamento. ACT pode ajudá-lo a sair de ciclos de pensamento negativo, aceitar o que você não pode controlar, parar de fugir da dor, e ser mais capaz de tolerar o risco, a falha e a incerteza para colher os frutos de uma vida  significativa.

Esta abordagem tem vindo a ser eficaz no tratamento das perturbações da ansiedade, como a fobia social, ataques de pânico, ansiedade generalizada, e das perturbações de humor como a depressão. É igualmente eficaz para pessoas que não conseguem alcançar o bem-estar que desejam devido a situações problemáticas na sua vida. Pessoas que se sintam afetados por um estado de stress agudo ou prolongado. Pessoas que desejam melhorar a sua autoimagem, autoestima e autoconfiança.



Alguns princípios fundamentais da Terapia da Aceitação e Compromisso são:



EXPERIENCIAR O MOMENTO PRESENTE

Esta abordagem tem na sua base a ideia de que não devemos repudiar a experiencia que estamos a viver no momento. Que é contraproducente suprimir ou evitar as sensações desagradáveis que sentimos no corpo, como também não é aconselhável esforçar-se demasiado para não ter um  determinado pensamento negativo, dado que não conseguimos evitar que nos apareça na mente. O que conseguimos sim é orientar a nossa atenção para outros pensamentos criados por nós mesmos. Esta abordagem usa exercícios para ajudá-lo a permanecer presente e focado na respiração ou nos seus pensamentos e sentimentos, ao invés de tentar evitá-los. Os sentimentos são momentâneos, são temporários, e alteram aquilo que sentimos no nosso corpo, assim como aquilo que nos aparece na mente. No entanto, por causa de experiências aprendidas na juventude, muitas vezes desenvolvemos julgamentos sobre as emoções e sobre o que significam para nós quando as estamos a sentir. Levando-nos a identificarmo-nos com elas, conduzindo-nos a frases do gênero:  ”Estou deprimido novamente” ou “Sou um perdedor“.

Quando a pessoa aprende a focar e a descrever as sensações físicas de dor ou ansiedade (por exemplo, sinto o meu peito apertado), ao invés de se sentir impotente ou tentado a distrair-se, você pode perceber que aquilo que está a sentir, apesar de ser desagradável, é suportável, e que acabará por passar. Conseguir suportar e experienciar a intensidade dos sentimentos a surgir e a desaparecer, permite que passe a percebê-los como experiências passageiras, e não como você julga que é na sua essência.



ACEITAÇÃO DA REALIDADE

A aceitação é muitas vezes confundida com passividade. De acordo com a abordagem da Terapia da Aceitação e Compromisso, aceitação significa: “estar disposto a experimentar o momento presente, mesmo que isso não seja o que a pessoa tenha escolhido.” Isso também significa aceitar as suas experiências de vida e a sua história, ficando também ciente que você não pode livrar-se  completamente das experiências de dor e sofrimento. No entanto, o que importa levar em consideração é que, você tem sempre uma escolha sobre o que fazer com aquilo que está a acontecer na sua vida no momento presente.

Perante a dificuldade, a experiência de dor emocional, perante os recuos, os fracassos e a instabilidade emocional é importante abrir-se à aceitação, assumir que a condição humana contém tanto a experiência de sofrimento como de alegria, e que isso é um fato. Ou seja, você não é o seu sofrimento, não precisa ser limitado por ele e pelos sentimentos e pensamentos daí decorrentes. Pelo contrário, você  pode viver numa situação desconfortável por um tempo. É preciso esforço, comprometimento e ações para mudar os seus caminhos mentais (a sua estrutura neurológica) até que consiga comportar-se de forma diferente.

Aceitação, implica estar disposto a não evitar pensamentos desagradáveis, sentimentos ou situações que exigem a sua atenção, como por exemplo alguns maus hábitos, vícios, raiva ou procrastinação. Se você quer melhorar a sua saúde mental e força emocional, primeiro precisa ser capaz de olhar e experimentar o impacto do seu sofrimento, entendê-lo, aceitá-lo, para que possa fazer algo para melhorar. Ao mesmo tempo, você pode comprometer-se a fazer o que necessita ser feito através de pequenos passos, cada dia, para ser um pouco mais saudável e caminhar rumo à superação do seu problema pessoal ou problema psicológico. Levantar o véu da autosabotagem pode ser um processo prolongado no tempo, mas certamente valerá a pena.



DESAPEGO: SEPARE-SE DOS SEUS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS

Você não é os seus pensamentos, sentimentos e sensações corporais. Na ACT a pessoa aprende estratégias e exercícios que a leva a ficar ciente daquilo que está a acontecer-lhe sem fundir-se à experiência do momento. A pessoa passa a ser capaz de retirar-se, separar-se e desligar-se dos pensamentos, sentimentos, imagens e memórias desagradáveis e incapacitantes. O termo correto é Desfusão Cognitiva. A pessoa torna-se num “observador do seu ego” para que possa observar os seus pensamentos e experiências a partir de um ponto de vista mais objetivo.

Quando você entra num ciclo de negatividade, de autocrítica exacerbada, quando ativa a mentalidade de vítima, quando começa a evitar coisas que gostava, quando o seu pensamento se torna catastrófico, tende a sentir os seus pensamentos como verdadeiros. Na verdade, eles podem não ser. Certamente, são aquilo que em psicologia apelidamos de mensagens enganosas do cérebro. Ou seja, aquilo que você sente e pensa é influenciado pelas suas expetativas futuras, experiências passadas e autodefinição. Você não precisa deixar os seus pensamentos e sentimentos determinarem o seu comportamento ou quem você é ou pretende vir a ser. Você pode escolher como agir, com base na sua experiência direta (o que você vê, ouve, sente, independentemente dos seus julgamentos acerca daquilo que está acontecendo no seu ser) e seus valores fundamentais. Você pode pensar acerca de um determinado pensamento que lhe surge na mente: “É construtivo, é verdadeiro, serve-me?” e assim por diante. Com base na resposta, você pode optar por levar o pensamento em consideração ou deixá-lo passar, desapegando-se dele. Em vez de fundir-se aos seus pensamentos negativos e depreciativos, você pode optar por mudar a forma como você interage com eles. Pensar que você pode estar a ser estúpido, não faz de você estúpido,  é apenas um pensamento passageiro na sua cabeça.



DEFINIR OS VALORES CENTRAIS

Os valores centrais são as coisas na vida que são mais significativas para nós e que enriquecem as nossas vidas. Eles incluem coisas como ser saudável, ser justo, cuidar das nossas famílias, ser responsável, ser simpático, contribuir para o bem da sociedade. Quando as pessoas vêm à minha consulta psicológica, muitas vezes estão tão sobrecarregadas com angústias, sentimentos de autopiedade ou raiva, ou dor emocional, que perderam a noção daquilo que pretendem e do que as deixa realizadas e preenchidas. Mesmo que verbalizem para si mesmo “Eu quero sentir-me bem, e recuperar a minha vida“, o seu comportamento no dia-a-dia não reflete isso, porque estão excessivamente preocupadas com o evitamento do stress diário, pensamentos catastróficos sobre o passado, os eventos dolorosos, ou tentar impedir uma possível ameaça no futuro. Na ACT são propostos exercícios que orientam a pessoa a definir os seus valores e objetivos de vida, e com isso ganhar motivação para se reconectar com as atividades e com as pessoas que promovem esses valores nas suas vidas.



COMPROMISSO COM A AÇÃO MOTIVADA 

Para florescermos, para vivermos uma vida autêntica e com um significado, é preciso correr riscos, abandonar a zona de conforto, e tolerar a incerteza e a ansiedade. Significa enveredar por um conjunto de ações motivadas e guiadas pelos nossos valores centrais. Importa alinhar os valores com as ações, para que através da contínua ação a vida se torne rica, preenchida e significativa.

Em consulta a pessoa é conduzida a perspetivar um cenário em que se vê a ter como porta estandarte os seus valores, visualizando as suas ações a serem decorrentes daquilo que gosta, pretende realizar e perspetiva como um propósito de vida. O foco está em agir, não esperar um resultado particular, uma vez que os resultados podem, pelo menos estar parcialmente fora do nosso controle. Para ser bem sucedido não tem necessariamente que sentir-se a todo o tempo feliz, alegre ou sem dor. Para viver uma vida plena, apesar de podermos ter momentos de ansiedade ou dor emocional, importa sobretudo suportar os maus momentos tendo como suporte a ideia de que  agimos de acordo com o nosso objetivo. Ao enfrentar o que você teme, o medo acabará por diminuir, e, mesmo que isso possa não acontecer, você vai saber que fez o seu melhor com o que você tem. Isso permite que se movimente na sua vida mais seguro de si mesmo, livre de arrependimentos e sentimentos de culpa.



CONCLUINDO

Na minha experiência na aplicação da ACT, posso dizer que é extremamente eficaz com pessoas que vivem confusas, desesperadas e com dificuldade de mudar hábitos que se têm comprovado como inibidores à felicidade e realização de objetivos. A pessoas passam a ter um maior controle sobre os seus eventos internos, sentindo-se mais capazes para terem um papel mais ativo nas suas vidas. Eu uso os princípios e intervenções baseadas na ACT com muitos clientes para ajudá-los a tolerar situações estressantes, incapacitantes ou desesperantes, no sentido de focarem a sua atenção naquilo que podem e conseguem mudar. ACT pode criar uma base para a esperança e ajudá-lo a suportar a dor envolvida na mudança e na superação.

Grande abraço!

Adaptação do texto:  Miguel - Escola Psicologia 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

DO OUTRO LADO DA JANELA

Ontem, conversando com meu pai sobre as coisas da vida ele me lembrou de uma história muito bonita que já havia conhecido há muito tempo. Ao ouvir a história novamente, logo me vieram à mente alguns conceitos que ouço diariamente de pessoas que se julgam realistas ou céticas e sempre buscam ver para crer. A maioria destas pessoas, entre as que conheço, passou por grandes decepções ideológicas, principalmente religiosas e não se permitem acreditar novamente sem que saibam exatamente onde estão pisando. Por isso, procuram explicações em tudo e acabam perdendo muito da alegria de viver o momento.


Pequenas coisas como apreciar a caricatura torta que seu sobrinho pequeno fez para você, só são possíveis de serem apreciadas se você avaliar de forma não-cartesiana, se você tem a sensibilidade de olhar as qualidades apesar dos defeitos, se você tem a grandeza de reconhecer sua parte naquele sorriso.



Permita-se viver a vida em sua mais absoluta amplitude. Quando estiver pronto, faça a diferença na vida de alguém.



São os pequenos momentos que fazem da vida GRANDIOSA.


Segue o texto na íntegra:

DO OUTRO LADO DA JANELA

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.

Um deles, podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto.

O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.

Os homens conversavam horas a fio.
Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias... 
E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela.

O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela.

A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem, e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte...

Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena.

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.

Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela.

A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.

Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela... que dava, afinal, para uma parede de tijolo!

O homem perguntou a enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.

A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede.

"Talvez ele quisesse apenas dar-lhe coragem..."